Noções de Mercado de Câmbio: Instituições autorizadas a operar e operações básicas.

Atualizado em 03/02/2025

As relações internacionais implicam relações de trocas entre as moedas, ou seja, a variável econômica conhecida como taxa de câmbio. Assim, quanto mais valorizada for a moeda de um país, menor será o poder de competitividade do produto desse país, piorando o saldo em transações correntes.

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Como funciona o mercado cambial?

As relações internacionais implicam relações de trocas entre as moedas, ou seja, a variável econômica conhecida como taxa de câmbio. Assim, quanto mais valorizada for a moeda de um país, menor será o poder de competitividade do produto desse país, piorando o saldo em transações correntes. Nesse sentido, uma valorização cambial estimula as importações e desestimula as exportações, mas com uma desvalorização cambial ocorre o inverso.

O mercado de câmbio é o local onde são realizadas as operações de câmbio, ou seja, compra e venda de moedas de todos os países. Dessa maneira, é um dos maiores ambientes de negociação do mercado de capitais.

No mercado cambial, as operações são realizadas em pares de moedas, ou seja, para comprar uma moeda é necessário entregar outra. Cada moeda possui um preço e a diferença entre uma e outra é chamada de taxa cambial. A taxa cambial é responsável por dizer quanto será necessário pagar paracomprar outra moeda. Aqueles que participam do mercado de câmbio de um país podem ser divididos entre os que produzem divisas e os que cedem divisas.Produzem e cedem divisas, respectivamente, os que recebem transferências do exterior; os que remetem lucro ao exterior.

O mercado cambial poderá ser:

Mercado primário:
O mercado primário diz respeito as movimentações de entrada e saída de moeda estrangeira do Brasil. Geralmente essa movimentação é feita por importadores, exportadores e turistas.
Mercado secundário:
O mercado secundário diz respeito as movimentações feitas entre os bancos no país, podendo ser chamado também de mercado interbancário. . Ou seja, é onde as moedas dos países são negociadas, possibilitando o comércio, turismo e investimentos internacionais.

Responsável pelo mercado de câmbio no Brasil

Quem regula e supervisiona o mercado de câmbio no Brasil é o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional. O Banco Central tem a responsabilidade de autorizar o funcionamento das instituições financeiras para que possam fazer a negociação ou intermediação das operações de câmbio. Todas as operações realizadas pelas instituições são informadas ao Banco Central. Já o Conselho Monetário Nacional estabelece a política cambial do Brasil e quais serão as regras que devem ser seguidas nas operações financeiras entre o Brasil e os demais países. Além disso, o Banco Central verifica se as regras estão sendo seguidas de forma adequada.

No Brasil temos as seguintes operações de câmbio:

  1. compra e venda de moeda estrangeira ou uso de cartão em viagens ao exterior;
  2. transações de moeda nacional por residentes no país e no exterior;
  3. movimentação de valores de importação e exportação;
  4. pagamentos e transferências internacionais, entre outros.

Lembrando que todas as movimentações cambiais devem ser realizadas por meio de instituições financeiras autorizadas e supervisionadas pelo Banco Central.

Instituições autorizadas:

  1. Bancos comerciais;
  2. Caixas econômicas;
  3. Bancos múltiplos;
  4. Bancos de investimento;
  5. Bancos de desenvolvimento;
  6. Bancos de câmbio;
  7. Corretoras de câmbio;
  8. Agências de fomento;
  9. Sociedades de crédito, financiamento e investimento (financeiras);
  10. Corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários (CDTVM)

Diferencial de juros interno e externo

"lei da oferta e da demanda"
Juros Relação
Internos: Tem uma relação inversa com a taxa de câmbio, ou seja, se os juros interno sobe, a taxa de câmbio desce e caso, os juros interno desce, a taxa de câmbio sobe.
Externos: Tem uma relação direta com a taxa de câmbio, ou seja, se os juros externo sobe, a taxa de câmbio também sobe, e se os juros externos desce, a taxa de câmbio desce.

Pense na moeda como uma mercadoria, isto é, o valor dela obedecea "lei da oferta e da demanda". Por isso, quando há escassez de moeda estrangeira, o preço dessa moeda se eleva em relação ao Real, o que significa uma desvalorização cambial, uma vez que será preciso mais unidades de Real para comprar uma unidade de dólar. Ao passo que, se houver abundância de dólar, há desvalorização dele (diminui seu preço) e, consequentemente, o Real passa a valer mais – há uma valorização cambial.

Embora o regime cambial no Brasil seja o flutuante, essa flutuação do câmbio não é deixada totalmente livre, sob pena de o Real se valorizar ou desvalorizar demais. Por isso, o Banco Central intervém para garantir que tal flutuação não seja desenfreada. Ele o faz comprando e vendendo moeda estrangeira, de modo a influenciar no seu valor. Por isso dizemos que o Brasil adota o Regime de Flutuação Suja ou Dirty Floating.

No regime híbrido existe a banda cambial, indicando quando o Banco Central deve intervir. Enquanto na flutuação suja essa interferência é discricionária, ou seja, é realizada sem critérios tão específicos, dependendo muito dos objetivos de política cambial do governo e da dinâmica do mercado cambial – maior ou menor entrada de moeda no País.

Taxas de Câmbio Nominal e Real

A taxa de câmbio que estudamos até o momento é a taxa de câmbio nominal, que é aquela divulgada na mídia, ou seja, a taxa de câmbio que costumamos utilizar. A taxa de câmbio nominal expressa a quantidade de uma moeda necessária para comprar uma unidade de uma moeda estrangeira.

Suponha que a taxa de câmbio nominal Real/Dólar seja 4,50. Isso significa que são necessários 4,50 reais para se comprar 1 dólar. No entanto, há um detalhe importante: concorda comigo que com 1 dólar nos Estados Unidos você não necessariamente compra as mesmas coisas que compraria com 4,50 no Brasil?

O motivo de isso acontecer é que os países possuem custos de vida diferentes entre si, o que chamamos de poder de compra. Pois bem! A taxa de câmbio real expressa a relação de poder de compra entre países, ao levar em consideração a inflação dos dois países. Guarde essa informação: a diferença entre a taxa de câmbio nominal e a taxa de câmbio real é que a última considera a inflação dos países.

Direto do Concurso

Banco do Brasil - 2021
A relação entre a mudança de percentual na taxa de câmbio à vista, ao longo do tempo, e o diferencial entre taxas de juros comparáveis em diferentes mercados de capitais nacionais é conhecida como o efeito Fisher internacional. O Fisher-open, como é frequentemente chamado, indica que as taxas de câmbio à vista devem mudar em uma quantidade igual, mas em direção oposta à diferença nas taxas de juros entre dois países.

Taxa básica de juros da economia (SELIC)

Uma elevação da taxa de juros no Brasil pode ocasionar uma corrida de investidores estrangeiros para investir no País, em busca do aumento da rentabilidade.

Variáveis Externas que influenciam na taxa de câmbio

Além das coisas que acontecem no País, há outras variáveis que podem incentivar a maior entrada ou saída de capitais. Um exemplo é a alta de taxas de juros em outros países.
Suponha que os Estados Unidos anunciem uma elevação na taxa de juros deles. Certamente, haverá uma corrida de investidores retirando seus recursos de países em desenvolvimento como o Brasil e os direcionando para os Estados Unidos, que são um país desenvolvido e que possui mais credibilidade.
Portanto a taxa de câmbio, ou seja, o valor da moeda nacional frente a moeda estrangeira, tende a ser influenciada tanto por fatores internos, quanto por fatores externos.

Lembre-se que os juros é que remuneram os investimentos em títulos públicos federais, por exemplo. Portanto, quanto maiores os juros, mais os investidores se interessam por esse país. Com a entrada de capitais, há forte entrada de moeda estrangeira, diminuindo seu valor e valorizando o Real. Ao passo, que uma diminuição da taxa de juros pode levar a uma "fuga de capitais", causando o efeito contrário, ou seja, aumento do valor da moeda estrangeira e desvalorização damoeda nacional.

Direto do Concurso

Banco do Brasil - 2021
Com a pandemia, observou-se intensa volatilidade das taxas de câmbio cotadas nos mercados de câmbio à vista no Brasil. Segundo dados do Banco Central do Brasil, a taxa de câmbio média negociada nos mercados à vista foi de R$5,46/US$ em agosto de 2020, comparativamente à taxa média de R$5,28/US$, observada em julho desse mesmo ano. Sendo assim, constata-se que, entre julho e agosto de 2020, o Real brasileiro mostrou, em relação ao Dólar norte-americano, depreciação média de cerca de 3,41%, em termos nominais.

Prêmio de Risco

O investimento com menor risco no mercado é título de curto prazo do governo norte-americano. Isto porque a economia americana é, atualmente, a mais forte do mundo, e o governo possui boa capacidade de pagar a sua dívida. Normalmente são os títulos de curto prazo, pois quanto maior o prazo de vencimento maior será o risco. Então o prêmio de risco é a diferença entre o rendimento de um investimento e o rendimento desses títulos norte-americanos.

Prêmio de Risco = Retorno esperado – Taxa livre de risco


Aqui significa o seguinte, o investidor estrangeiro não levará somente em consideração a taxa de juros para aplicar seu dinheiro no Brasil, ele analisará toda a conjuntura do país para determinar qual é o risco de aplicar aqui. Se o que pode ganhar é muito próximo de uma aplicação segura que ele tenha em seu país, ele não arriscará seu capital, mas se for uma taxa de ganho bem superior ele tenderá a arriscar mais.

Exemplo:

Vamos supor que os títulos de curto prazo americano estão oferecendo juros de 1% ao ano, e os títulos similares do Brasil estão com juros de 4%.

Prêmio de Risco = Retorno esperado – Taxa livre de risco

Prêmio de Risco = 4% – 1% = 3%

Se as taxas de juros da economia estiverem em fase de ascensão, ou seja, em cenário de alta taxa de juros, fará com que seja mais atrativo investir em títulos pós-fixados.

Agora se as taxas de juros da economia estiverem em fase de declínio, ou seja, em cenário de baixa taxa de juros, fará com que seja mais atrativo investir em títulos pré-fixados.


Bons Estudos!


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